
TRÊS PONTAS VIROU CAMINHO DE FÉ: 23 DE SETEMBRO REAFIRMOU A FORÇA DO TURISMO RELIGIOSO E DA DEVOÇÃO AO BEATO PADRE VICTOR
Milhares de pessoas chegaram à cidade a pé, de ônibus, carros, caravanas, a cavalo e de diferentes partes do Brasil. Festa movimentou o Santuário, a Praça Cônego Victor, a Mina do Padre Victor e as estradas da região
TRÊS PONTAS — Há dias em que uma cidade simplesmente acorda. E há dias em que uma cidade parece acordar para lembrar quem ela é. 23 de setembro é assim em Três Pontas. Em 2026, mais uma vez, a cidade abriu seus caminhos, suas igrejas, suas praças e, sobretudo, o seu coração para receber milhares de devotos do Beato Padre Victor.
Durante a madrugada, enquanto grande parte da população ainda dormia, já havia gente caminhando pelas estradas. Pessoas que saíram de suas cidades horas antes. Algumas carregando cruzes. Outras, terços. Algumas cumprindo promessas. Outras agradecendo. E muitas simplesmente trazendo consigo uma esperança que talvez ninguém além delas consiga compreender. O resultado foi uma das maiores manifestações de fé do calendário religioso do Sul de Minas.
UM NÚMERO IMPRESSIONANTE — MAS QUE AINDA É UMA ESTIMATIVA
Antes da festa, a EPR Vias do Café trabalhava com uma estimativa de aproximadamente 50 mil pessoas circulando por Três Pontas nos dias 22 e 23 de setembro. Desse total, cerca de 5 mil peregrinos deveriam fazer o percurso a pé pelas rodovias e estradas da região.
Depois da celebração, entretanto, um dado importante precisa ser registrado com responsabilidade jornalística: não foi divulgado, até o momento, um levantamento oficial final informando exatamente quantas pessoas passaram por Três Pontas durante a festa. A imprensa registrou que a movimentação foi uma das maiores dos últimos anos, mas destacou justamente a ausência de uma contagem oficial por parte da organização ou das forças de segurança.
Portanto, 50 mil é uma estimativa de público, e não uma contagem oficial consolidada. Mas quem esteve em Três Pontas viu a dimensão da movimentação.
5 MIL PESSOAS A CAMINHO DE TRÊS PONTAS
Talvez nenhuma imagem represente melhor o tamanho dessa devoção do que as pessoas caminhando. A reportagem baseada na cobertura do Conexão registrou milhares de devotos percorrendo aproximadamente 30 quilômetros entre Varginha e Três Pontas pela MG-167. E não eram apenas moradores de Varginha. Peregrinos chegaram de Boa Esperança, Elói Mendes, Nepomuceno, Monsenhor Paulo e outras cidades do Sul de Minas, além de grupos vindos de localidades mais distantes.
Alguns caminharam durante a noite. Outros atravessaram a madrugada. Muitos chegaram cansados, mas seguiram para o Santuário. E houve quem transformasse o próprio percurso em oração.
Como resumiu uma peregrina ouvida pela Canção Nova, há quem caminhe para pedir, há quem caminhe para agradecer — e há quem descubra, no caminho, uma oportunidade de refletir sobre a própria vida.
A MADRUGADA QUE COMEÇOU EM ORAÇÃO
O dia 23 de setembro começou muito antes do nascer do sol.
Às 3h, houve Santa Missa no Santuário Diocesano Nossa Senhora d’Ajuda.
Às 3h30, saiu a tradicional Procissão da Penitência, em direção à região da Faxina.
Às 4h30, a Corporação Musical Luiz Antônio Ribeiro realizou a tradicional alvorada na Praça Cônego Victor.
Às 6h, os fiéis participaram da celebração na Capela Santa Cruz, na região da Faxina, tradicionalmente associada à memória de Padre Victor.
E a programação do Santuário continuou durante todo o dia, com missas às:
3h • 5h • 7h • 9h • 11h • 13h • 15h • 17h • 19h.
A Missa das 9h, solene e pontifical, foi presidida pelo bispo diocesano Dom Walter Jorge Pinto.
NA VÉSPERA, A CIDADE JÁ ESTAVA EM CLIMA DE FÉ
A programação não começou no dia 23. A Novena do Beato Padre Victor teve início em 14 de setembro e seguiu até o dia 22. Durante a semana, o Santuário recebeu procissões da penitência, missas, confissões e celebrações em diferentes horários. No dia 20, domingo, a programação foi ampliada. E no dia 22, véspera da grande celebração, Três Pontas viveu outro momento especial:
Queima dos Pedidos, às 15h;
Procissão Luminosa, às 18h;
Missa e novena, às 19h;
e uma última celebração às 22h.
O SANTUÁRIO FICOU LOTADO
A dimensão da festa também pôde ser percebida dentro do Santuário. O Conexão registrou, ainda durante a programação, celebrações completamente lotadas, com fiéis acompanhando as missas inclusive do lado de fora e filas formadas para chegar ao local onde estão os restos mortais do Beato Padre Victor.
Após o dia 23, veículos da região voltaram a registrar a grande movimentação no entorno do Santuário e da Praça Cônego Victor. O Conexão TV Web registrou que milhares de fiéis participaram das celebrações, com filas para visitar o local onde estão os restos mortais do Beato.
A Canção Nova também destacou que as missas lotaram o Santuário e que peregrinos de diferentes partes do Brasil participaram das celebrações.
E NÃO FOI APENAS FÉ: FOI PEREGRINAÇÃO
A festa mostrou que Três Pontas já possui algo que muitos destinos turísticos religiosos precisam construir durante décadas:
uma tradição espontânea de peregrinação.
A pessoa não vem apenas para assistir a uma missa.
Ela percorre quilômetros.
Planeja a viagem.
Organiza grupos.
Compra passagem.
Aluga ônibus.
Abastece.
Come.
Compra.
Dorme.
Visita.
Reza.
E volta para casa.
É por isso que o 23 de setembro precisa ser compreendido também como um dos maiores acontecimentos de turismo religioso de Três Pontas.
A MINA DO PADRE VICTOR TAMBÉM RECEBEU O MOVIMENTO
Outro ponto fundamental da festa foi o Parque Multiuso da Mina do Padre Victor, onde tradicionalmente acontece a feira. Em 2026, a organização da feira ficou sob responsabilidade da Santa Casa de Misericórdia do Hospital São Francisco de Assis.
Antes da festa, foram projetados aproximadamente 380 lotes comerciais, com estrutura envolvendo comerciantes, visitantes, segurança, transporte, banheiros, chuveiros e equipe de apoio. A Mina, portanto, não é apenas um ponto comercial. É também um lugar de memória e devoção.
É um dos espaços que ajudam a contar a história de Padre Victor e que podem integrar, cada vez mais, uma estratégia permanente de turismo religioso.
UMA CIDADE INTEIRA ENVOLVIDA
A festa também muda a rotina de Três Pontas. Hotéis, restaurantes, lanchonetes, postos de combustíveis, comércio, transporte e vendedores ambulantes passam a trabalhar com um fluxo completamente diferente do cotidiano.
E existe uma razão para isso: uma cidade que recebe dezenas de milhares de visitantes em poucos dias precisa começar a enxergar essa movimentação como patrimônio turístico e econômico.
A Festa do Padre Victor não é apenas um evento religioso. Ela é também uma oportunidade de mostrar Três Pontas.
Sua história.
Sua fé.
Seu café.
Sua música.
Sua gastronomia.
Sua cultura.
Seu comércio.
Sua hospitalidade.
SEGURANÇA: UMA OPERAÇÃO PARA QUEM CAMINHOU
A movimentação exigiu uma operação especial nas rodovias. A EPR Vias do Café mobilizou equipes e viaturas e instalou pontos de apoio para os peregrinos na MG-167 e na BR-265.
Entre os pontos estavam:
📍 Posto Líder, em Varginha;
📍 Fazenda Zaroca;
📍 DER;
📍 Fazenda Pantera;
📍 Base de Serviço Operacional, em Santana da Vargem;
📍 BR-265, em Coqueiral.
Foram disponibilizados orientação e coletes refletivos, enquanto a concessionária reforçou as recomendações de segurança para quem caminhava durante a noite ou madrugada.
Após a festa, o Conexão informou que o reforço do policiamento contribuiu para que a celebração terminasse sem acidentes relacionados ao grande movimento de peregrinos e veículos nas rodovias próximas a Três Pontas.
PADRE VICTOR VOLTOU A UNIR TRÊS PONTAS
Talvez seja essa a parte mais bonita de tudo. Porque, por algumas horas, as diferenças parecem desaparecer. Chegam ricos e pobres. Jovens e idosos. Moradores e visitantes. Pessoas que vêm de longe e pessoas que vivem a poucos metros do Santuário. Todos caminhando para o mesmo lugar. Todos diante da mesma memória. Todos carregando suas próprias histórias.
A Canção Nova registrou cenas de peregrinos descansando no chão do Santuário entre uma celebração e outra, levantando-se depois para continuar suas orações. Também destacou o trabalho voluntário de pessoas que oferecem alimento e acolhimento aos romeiros.
Isso também é turismo religioso. Não apenas a viagem. O acolhimento.
121 ANOS DEPOIS, A HISTÓRIA CONTINUA
Francisco de Paula Victor morreu em 23 de setembro de 1905. Em 2026, completaram-se 121 anos de sua morte. Mais de um século depois, seu nome continua provocando algo extraordinário: pessoas continuam colocando os pés na estrada para chegar até ele. Padre Victor foi beatificado em Três Pontas em 14 de novembro de 2015.
E sua memória continua profundamente ligada à identidade religiosa da cidade. Na homilia oficial da Diocese da Campanha, publicada em 23 de setembro, Dom Walter Jorge Pinto destacou a vida do Beato como exemplo de fé, serviço, comunhão, unidade e caridade.
E AGORA, UMA PERGUNTA PARA TRÊS PONTAS
Depois de mais uma Festa do Padre Victor, talvez a pergunta não seja apenas:
“Quantas pessoas vieram?”
A pergunta deveria ser:
“O que Três Pontas fará com tudo isso?”
Porque uma cidade que recebe aproximadamente 50 mil visitantes em apenas dois dias, segundo a estimativa divulgada antes do evento, possui um ativo turístico extraordinário.
E uma cidade que recebe milhares de pessoas caminhando por quilômetros possui algo ainda mais raro:
uma peregrinação que já nasceu da própria fé popular.
O desafio agora é transformar essa força em uma política permanente de turismo religioso.
Com planejamento.
Infraestrutura.
Acolhimento.
Sinalização.
Segurança.
Informação.
Preservação do patrimônio.
Capacitação.
Roteiros.
Divulgação.
E integração entre Igreja, Poder Público, comércio, empresários, entidades e comunidade.
Porque o 23 de setembro termina.
Mas a história de Padre Victor não termina.
E a peregrinação também não precisa terminar.
TRÊS PONTAS É UMA CIDADE DE FÉ
Talvez seja essa a grande conclusão desta cobertura.
A Festa de 2026 mostrou novamente que Três Pontas não precisa inventar um destino turístico religioso.
Ele já existe.
Está no Santuário.
Está na Mina.
Está na Capela da Faxina.
Está na memória de Padre Victor.
Está nas famílias.
Está nas promessas.
Está nas orações.
Está nos milhares de passos que, todos os anos, apontam para Três Pontas.
E está, principalmente, no coração de quem chega.
Porque algumas pessoas viajam para conhecer uma cidade.
Outras caminham quilômetros para encontrar uma resposta.
E, todos os anos, milhares delas encontram em Três Pontas um lugar onde podem simplesmente parar, rezar, agradecer e continuar.
TRÊS PONTAS. TERRA DO BEATO PADRE VICTOR.
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Roger Campos































